Santocas - Biografia




Santocas
DVD do Santocas: Minha Vida Minha História

Santocas

 

Nome: António Sebastião Vicente

Data de nascimento : 25 de Setembro de 1954

Naturalidade : Luanda

 

As canções quando atingem, na plenitude, o poder comunicativo, podem ser transformadas em válidos instrumentos de formação de opinião e de mudança do curso da história, sobretudo quando surgem em épocas de mudanças políticas radicais.

Este facto contraria a efemeridade de determinados modelos de criação artística, de natureza circunstancial, que surgem em oposição aos paradigmas musicais de impacto intemporal.

A música do cantor e compositor Santocas, ícone representativo do período efervescente da canção política, teve um efeito mobilizador de transcendente magnitude, numa altura em que os principais movimentos de libertação disputavam, entre si, a conquista do poder em Angola. Santocas revelava, de forma directa, os grandes ideais da luta pela independência, nunca se alheando dos grandes anseios do povo angolano em torno do MPLA. Alguns dos textos cantados por Santocas sugerem uma clara intenção de denúncia, configurando um espectro estilístico de feição jornalística, até porque, em muitos casos, os factos referenciados pertenciam ao universo de ocorrências históricas reais.

“Valódia”, “Massacres de Kifangondo” e “Poder popular”, entre outras canções de motivação política e social, fizeram de Santocas uma voz reconhecida da moderna canção política angolana, que se confunde com a “época de ouro” do fervor revolucionário.

Os referentes textuais das suas canções assinalam acontecimentos, lugares e pessoas, facilmente identificáveis na história política mais recente de Angola, sendo possível, pelas canções, reconhecer e datar o acontecido.


Os primórdios

Filho de Arnaldo Sebastião Vicente e de Maria Antónia Francisco de Assis, António Sebastião Vicente nasceu no dia 25 de Setembro de 1954, em Luanda, no Bairro Indígena, espaço da actual Cidadela Desportiva e arrasta consigo toda a dinâmica artística que irradiava do Marçal, Sporting Clube do Maxinde e arredores. O nome artístico, Santocas, vem de Santo António nome de uma conhecida Igreja, situada em Kifangondo, em Luanda, local de culto, onde a mãe rezava pela saúde do filho. Santo António era o nome de tratamento no seio restrito da sua família. Santocas ganhou, em 1969, um concurso infantil do Clube Maxinde, o que o motivou a tentar o Kutonoca, onde emparceirou com os artistas Luís Visconde e Elias Diá Kimuezo, nomes de referência da música angolana. A passagem de Santocas, em 1972, pelo programa “Chá das Seis” – um espaço selectivo de revelação de novos valores, que se realizava no Cinema Restauração, em Luanda –foi marcate.

Em 1976 ocorreu a sua primeira internacionalização, com a participação no Festival da Canção Política em Berlim, que decorreu de 7 a 12 de Janeiro, ao lado de grandes nomes da canção política da Europa do Leste e do mundo.

Santocas chegou a fazer algumas actuações com Agrupamento Musical Sambo, dos irmãos Sambo, que incluía os músicos Silvestre, guitarra solo, e Guido, guitarra baixo. Sobre o período áureo da canção política, Santocas diz o seguinte: “Era uma época em que havia uma maior entrega. De notar que as gravações tinham uma qualidade técnica excelente, se atendermos aos parcos meios existentes na época. A eclosão do nosso poder criativo tinha uma ligação emocional directa com as transformações sociais vividas na época, o resto a história fará a sua justiça…”

 

Canção política

A canção política, também designada música “engagé”, ou simplesmente música de intervenção, teve repercussão mundial com o advento dos partidos de esquerda, tendo desempenhado uma importante função mobilizadora, pela natureza explícita das suas mensagens. Muitos compositores, embora não estivessem filiados em formações políticas concretas, criaram canções de tipo interventivo, reclamando mudanças sociais e políticas nos seus países.

No mundo ficaram conhecidos os nomes de Pablo Milanês, Leo Brawer, e Sílvio Rodriguez, fundadores da “Nueva Trova Cubana”, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Fausto, José Mário Branco e Adriano Correia de Oliveira, em Portugal, Chico Buarque, Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil, no Brasil, Ivan Della Mea, na Itália, e Míkis Theodorákis, na Grécia.

Em Angola podemos situar o início da canção política com o agrupamento Nzagi, do agora Presidente José Eduardo dos Santos, que teve o apogeu com o advento da independência, em 1975, com os compositores que cantaram a liberdade, em torno do agrupamento Kissanguela, formação musical da JMPLA.

 

As canções de Santocas

Os temas das canções de Santocas podem ser agrupados em dois momentos fundamentais da carreira do compositor.

Um primeiro, em que o cantor aborda o amor e a generalidade das questões passionais, com “Minha Sobrinha” e “Matrimónio”, e um segundo, o do protesto, em que o compositor está preocupado com a liberdade e o advento da independência, com “Angola”, “Valódia”, e “Massacres de Kifangondo” incluindo as transferências de lugares, com os sucessos “Bairro Indígena” e “Marçal”.

Do conjunto de canções de pendor político, realçamos, pela sua importância histórica, as letras “Angola”, “Valódia, e “Massacres de Kifangondo”: “Angola/ tua anangola/ kindala ngó/ ando tu e bana/ M.P.L.A. tua sakidilá/ tua sakidilá/ ni osso ua bangue/ kama tangue ka me gié/ ama gi tanu já mivu/ mu tua bité/ kama tangue ka me gié/ ama gi tanu já mivu/ mu tua bité/ olo tula ó kizua pala etu tuimbila/ ó muinbu ietu/ massoxi ndulum/ massoxi ndulum/ aná assumbixilé/ ó jipanguejetu mui itari/ alukenu ji makuenze já MPLA/ a bixila kiá/ Alukenu”. (“Angola é dos angolanos/ só agora/ nos será entregue/ MPLA. estamos agradecidos/ estamos, agradecidos/ pelo que fizeram/ só não conta quem não sabe/ os quinhentos anos que passámos/ está chegando o dia/ para nós cantarmos a nossa canção/ e as lágrimas cairão/ e as lágrimas cairão/ aqueles que venderam/ os nossos irmãos/ por dinheiro/ têm de ter cuidado/ porque os nossos Irmãos/ do MPLA já chegaram”).“Valódia”, uma canção interpretada pela cantora cubana Beatriz Marquez, cedida por Santocas, aquando da realização do Festival da Canção Política em Matanza, em 1978, é uma elegia à figura do conhecido nacionalista e guerrilheiro do MPLA, que morreu na sequência dos confrontos militares entre os movimentos de libertação, em 1974: Bem longe ouvi aquele nome/ inesquecível dos filhos de Angola/ Valódia, Valódia…Valódia morreu/ em defesa do povo angolano/ Valódia, Valódia/ Valódia morreu/nas mãos dos imperialistas /que pretendem impor-nos /o neocolonialismo/povo angolano, todos bem vigilantes/que no neocolonialismo/a repressão é pior/a miséria é um martírio/a pobreza também/e o neocolonialismo não tem cor/ Valódia, Valódia, Valódia tombou/ em defesa do povo angolano /abaixo capitalismo/ abaixo neocolonialismo/ abaixo imperialismo/ avante socialismo/ a reacção não passará/ a opressão não passará/a luta continua/ até a vitória final.

Na canção “Massacres de Kifangondo”, o compositor lamenta a morte de populares inocentes, na célebre Batalha de Kifangondo, em 1974: Esquecer eu não consigo/ os massacres de Kifangondo/ ali morreram camaradas/ali, morreram angolanos/ os bárbaros continuam com os massacres/ violando torturando crianças/estes lacaios foram, pagos/por dólares americanos/ estes judas terão que ser julgados/pelo povo pelo povo/pelo povo pelo povo/o povo não esqueceu Kifangondo/o povo não esqueceu Kifangondo/ Eles serão julgados pelo povo/ eles serão julgados pelo povo/ pelo povo pelo povo…

 

Discografia

O primeiro single de Santocas, “Minha Sobrinha”, apareceu no mercado em 1973 e no mesmo ano gravou “Casamento”, pela editora Valentim de Carvalho, com acompanhamento do agrupamento Jovens do Prenda. Foi assim que surgiram as temporadas nas sessões do Dia do Trabalhador e da Aguarela Angolana, realizadas no Ngola Cine. Com o prenúncio da independência, Santocas protesta a transferência compulsiva dos moradores do Bairro Indígena para o Bairro Rebocho Vaz, actual Kassequel. É nesta altura que grava a canção “Bairro Indígena” seguida de “Marçal”.

Em 1974 gravou, com os Merengues, na sua fase áurea, o single “Angola” e “Ngueniami gitaua” (não quero armas), dois grandes êxitos na época.

 

Álbum “A minha vida, a minha história”

Depois de 36 anos de silêncio discográfico, tendo gravado apenas um single para a campanha do MPLA, Santocas retorna com o CD “A minha vida, a minha história”, com dez canções onde predomina o género semba.

Do DVD, que inclui depoimentos sobre a vida e obra do cantor, constam intervenções de importantes figuras da política, como Paulo Jorge, Boaventura Cardoso, Conceição Cristóvão, Amélia Dalomba, Jaime Pinto, do embaixador Luís de Almeida, José Leitão, Maria Antónia Francisco de Assis, sua mãe, familiares, e músicos, como Sanguito, El Belo, seu irmão, Beto de Almeida, Dulce Trindade, Dina Santos e Julinho, dos Jovens do Prenda, e do gastrónomo João Gonçalves.

O DVD tem um momento especial, com imagens da presença do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, num espectáculo realizado para os militares das FAPLA, em 1978, ou da passagem de Santocas por Cuba, uma gentileza do arquivo da Televisão Pública de Angola. Gravado parcialmente, em Angola, Portugal e misturado em França, o CD “A minha vida, a minha história” teve arranjos do produtor e guitarrista Betinho Feijó e a participação do guitarrista Teddy Nsingi e do percussionista Joãozinho Morgado. No CD, Santocas retoma as canções, “Nguamiami gitaua”, “ Bairro Indígena” e “Matrimónio” e os temas “Partida para o contrato”, letra de Agostinho Neto, “Buá Santo“, letra de Joaquim Francisco, “Os meninos da minha escola”, letra de Manuel Rui, “Mana Guduela”, “Ua ditropia, “Zé Ngombe” e “Onkemtu”, letra e música de Paulino Pinheiro, com participação especial de Walter Ananás.

19 de Setembro de 2011, Jomo Fortunato, Jornal de Angola

 

Fonte: angola-luanda-pitigrili.com

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Comments: 13
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